O livro conta a história de Pedro e sua trajetória com a leitura, explorando também sua relação com a própria orientação sexual, a carreira e o caminho que o levou a se tornar um influenciador do mundo literário. Tudo isso é entrelaçado com diversas indicações de leitura relacionadas aos temas que ele aborda, o que torna a experiência ainda mais interessante para quem ama livros.
Os livros haviam me ajudado a me libertar, a parar de lutar contra quem eu era. É inexplicável essa sensação
A escrita do Pedro é um pouco travada em alguns momentos, e isso é compreensível, afinal, ele é advogado e leitor, não necessariamente um escritor profissional. Ninguém está exigindo que ele seja um gênio da literatura. Mesmo assim, o texto é bom, envolvente e agradável, ainda que em certas partes soe um pouco como uma redação escolar. Mas a história é tão autêntica e cativante que acaba sobrepondo essas pequenas limitações, tornando a leitura muito prazerosa.
Quando ele fala sobre sua experiência com a ansiedade, eu me conectei de forma profunda e emocional. Sei bem como é passar por tudo aquilo e senti uma empatia imensa. Deu vontade de atravessar as páginas e dar um abraço nele. Só não chorei porque, sinceramente, sou uma leitora um tanto insensível quando o assunto é derramar lágrimas por um livro.
A leitura é leve, flui naturalmente e prende o leitor. A linha do tempo pode parecer um pouco confusa em alguns trechos, mas nada que realmente atrapalhe a compreensão ou o envolvimento. As dicas de leitura são ótimas, e anotei várias para procurar depois.
Recomendo o livro para quem gosta de biografias e de mergulhar na vida de outras pessoas, especialmente quando se trata de alguém que conhecemos das redes sociais, mas sobre quem pouco sabemos de verdade. É uma leitura que mistura vulnerabilidade, autoconhecimento e paixão pelos livros, e que nos faz enxergar o Pedro muito além das telas.
Eu não deixaria mais de ser quem sou só pra agradar.
Diário de leitura
Aqui está meu diário, tudo que senti durante a leitura dessa obra. Não se iluda com as primeiras impressões, pois elas sempre podem mudar. Ou não.
O começo
Pedro me fisgou logo de cara, o livro já começou me prendendo nas primeiras páginas. Afinal, quem não ama saber tudo sobre a vida de alguém que a gente acha que conhece só porque vê nos stories? Ler esse livro é quase como estar invadindo a intimidade de alguém, mas com permissão.
A parte em que ele fala da ansiedade me pegou em cheio. Foi como se eu estivesse lendo o meu próprio diário, só que em Paris e com muito mais estilo. Eu também tenho transtorno de ansiedade generalizada, mas a minha versão é sem croissant e sem Torre Eiffel. Ainda assim, entendi perfeitamente o que ele sentiu.
grande parte das vezes, o sofrimento é um sentimento solitário, que atormenta o seu hospedeiro com a vergonha de mostrar para os outros a sua vulnerabilidade, impedindo-o de compartilhar a dor e de pedir ajuda.
O meio
Na metade do livro, Pedro começa a contar como se tornou leitor. Sim, o influenciador literário também foi influenciado por outros influenciadores literários. É tipo um ciclo eterno de recomendação, uma bola de neve de bookalgumacoisa. Eu só fiquei chateada porque ele não entregou os nomes, queria saber quem o inspirou pra seguir também.
O livro é corajoso, disso ninguém pode reclamar. Pedro se revela, se expõe e deixa o “Bookster” de lado pra mostrar o Pedro de verdade. E olha, é sempre bom ver alguém que consegue se mostrar assim... principalmente quando a gente mesmo ainda esconde o rosto atrás de um avatar que todo mundo pensa ser a Lana Del Rey.
Mas o auge pra mim é quando ele fala sobre assumir a própria orientação sexual. É bonito, é vulnerável, e a gente se emociona, até eu que sou do tipo: Emoções? Só as controladas, obrigada! Me passa o rivotril…
O fim
O final vem com a história do padrinho, que passou a vida escondendo sua orientação sexual, e como ver o Pedro se libertar também libertou ele. O detalhe que mais me pegou foi quando vi a foto do batizado do Pedro no final. Ali, parada, olhando a imagem, pensei: a vida tem um senso de ironia que nem os melhores roteiristas conseguiriam inventar.
Eu e ele éramos dois silenciados a menos.
No fim das contas, adorei o livro do Bookster. Gosto de leituras assim, em que a pessoa se joga, se abre e ainda me dá de brinde um pacote de fofocas com lições de vida e indicações literárias. É o tipo de livro que eu devoro com prazer, porque, sinceramente, nada me deixa mais feliz do que saber da vida dos outros sob o disfarce nobre de “leitura reflexiva”.
Fácil de ler, cheio de emoção e com boas dicas de livros, não tem como não gostar!



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