O Silmarillion é aquele livro feito para quem ama fantasia ou já se encantou com o universo de O Senhor dos Anéis e deseja continuar imerso no mundo criado por Tolkien. Ele narra a história da criação da Terra-média e tudo o que aconteceu antes de o pequeno hobbit Bilbo encontrar o anel que move toda a trama da trilogia mais bem escrita da literatura.
O livro é quase como uma Bíblia (mas da fantasia) e fala sobre anjos que se voltam contra seu Ser Supremo, criaturas divinas que desobedecem ao Criador e recebem suas consequências. Mas também apresenta histórias lindíssimas de amor, amizade e lealdade.
um som se levantou de intermináveis melodias cambiantes tecidas em harmonia, que passou além da audição para as profundezas e para as alturas, e os lugares da habitação de Ilúvatar se encheram até transbordar, e a música e o eco da música, saíram para o Vazio, e ele não era mais vazio.
Nesta obra, temos muitos personagens, muitos mesmo. Desde o próprio Criador, Eru Ilúvatar, até suas criaturas do bem e do mal, como os elfos, os homens e Melkor, que é quase uma figura diabólica dentro da mitologia criada por Tolkien.
Quem já leu Tolkien sabe que ele é mestre em criar ambientações maravilhosas, com lugares tão belos quanto assustadores. As descrições feitas pelo autor são uma de suas marcas mais fortes, o que torna esta obra ainda mais fascinante. Temos cenários paradisíacos e infernais, ambos descritos com igual profundidade e beleza.
Tudo é extremamente detalhado, os lugares, os personagens e até suas genealogias. Isso pode tornar a leitura um pouco confusa no início, mas está longe de ser impossível ou difícil. Eu mesma tinha receio de encarar O Silmarillion, pois sempre ouvia que era um livro complexo. Mas, depois de lê-lo, percebi que não é tão desafiador quanto dizem. Pelo contrário: é uma leitura prazerosa, e justamente por isso, acaba ficando fácil, você se encanta tanto que se deixa levar pela narrativa.
Ainda, portanto, depois de Longa Noite, a luz de Valinor era maior e mais bela do que sobre a Terra-Média; pois o Sol descansava lá, e as luzes do céu ficavam mais perto da Terra naquela região.
As histórias narradas despertam fortes emoções. Dá vontade de ler em voz alta, de tão satisfatórias que são algumas passagens. Você sente deslumbre, raiva, compaixão, alegria, tudo em um único livro. E isso porque dentro dele há diversas narrativas que, juntas, constroem a mitologia completa desse universo mágico.
Há muitas reviravoltas e momentos de suspense, especialmente para quem nunca teve contato com os primeiros escritos do autor. A história dos elfos e da criação das Silmarils, por exemplo, é extremamente emocionante.
Apesar da grande quantidade de personagens, o livro prende o leitor com facilidade. Quando você mergulha nesse universo de fantasia, é como se estivesse lá, ao lado de todos aqueles heróis, elfos, Maiar, homens, anãos, e não quer mais sair de lá. A experiência foi tão envolvente para mim que, mesmo participando de uma leitura coletiva, onde deveríamos ler um capítulo por semana, eu não consegui me segurar e terminei o livro antes do previsto. E isso não foi problema algum, faço questão de reler cada capítulo para acompanhar as lives, e não será nenhum sacrifício. Pelo contrário.
Para mim, os grandes pontos fortes dessa obra são o talento narrativo e a criatividade de Tolkien. Só ele mesmo para conceber um universo tão rico, coeso e brilhantemente escrito. Minhas partes preferidas foram a saída dos elfos para a Terra-média e todo o rebuliço com Fëanor.
A morte me podeis dar, por merecimento ou não; mas os nomes de malnascidos, ou espião, ou servo não hei de aceitar de vós.
Se eu tivesse que descrever essa leitura com uma palavra, seria: encantamento. Eu achava que tinha amado ler O Senhor dos Anéis, mas O Silmarillion conseguiu me conquistar ainda mais. É Tolkien em sua essência, mesmo tendo sido finalizado por seu filho, Christopher Tolkien. O Silmarillion foi a obra da vida de Tolkien, aquela que ele tentou publicar durante toda a sua existência, mas infelizmente não conseguiu em vida.
Se você gosta de fantasia e ainda não leu O Silmarillion, não perca mais tempo. O canal Tolkien Talk tem vídeos com lives sobre cada capítulo. Dá para entender tudo com as explicações desses especialistas e ainda se divertir com o entusiasmo contagiante deles.
Diário de leitura
Aqui está meu diário, tudo que senti durante a leitura dessa obra. Não se iluda com as primeiras impressões, pois elas sempre podem mudar. Ou não.
O Começo:
Sempre tive medo de ler O Silmarillion. A fama era de que o livro era uma espécie de Bíblia, só que com elfos de nomes impronunciáveis tipo "Eönwë" . Diziam que tinha muitas famílias, muitos lugares, muitos nomes... e tudo descrito no estilo “Tolkien” , ou seja: você pisca e já tem uma árvore genealógica na sua cara.
Então eu pensava: "Isso aí é coisa pra especialista, não pra mim que me perco dentro de supermercado."
Mas aí vi o canal Tolkien Talk anunciando uma leitura conjunta. Um capítulo por semana. Lives explicativas. Apoio emocional. Pensei: "é agora ou só na quinta era."
Comecei a leitura preparada para o apocalipse literário, mas no fim não era nenhum bicho de sete Silmarils que pintavam por aí. Compreendi boa parte! Li frases inteiras sem travar! Senti até orgulho.
Claro, as lives do César e da Inês me ajudaram muito. Sem elas eu provavelmente teria confundido Valinor com Valium e passado o livro inteiro achando que os Valar eram uma boyband de RPG. Mas com a ajuda deles, entendi nuances da história, peguei referências élficas e consegui mergulhar de vez nesse universo onde as árvores finalmente têm seu valor reconhecido.
Muitos são os estranhos acasos do mundo, disse Mithrandir, se a ajuda amiúde há de vir das mãos dos fracos quando os Sábios falham
O Meio:
Agora, sejamos honestos: ler O Silmarillion um capítulo por semana? IMPOSSÍVEL. É tipo tentar comer um único bis da caixinha por dia. Não tem como.
Li o primeiro, li o segundo, e quando percebi já estava no capítulo oito e pensando que podia ter dado um nome élfico pro meu cachorro. O livro te puxa pra dentro da Terra-média com tanta força que parece que você caiu num buraco de minhoca e acordou em Beleriand com um mapa na mão e foi acordado pela primeira luz do sol.
Mas ela tinha repudiado seu Mestre, desejando ser senhora de sua própria gula.
É aventura, é drama, é poético, filosófico, intenso, e ainda tem personagens cativantes que te surpreendem mais que os congressistas brasileiros . É tão bom que comecei a olhar com desdém pra outros livros da estante, tipo: "Desculpa aí, Freida, mas aqui o negócio é mais antigo que o tempo."
O Fim:
Aí cheguei no final... e travei. Sim, fiquei empacada. Não por falta de interesse, mas porque meu subconsciente simplesmente se recusou a deixar Beleriand morrer. Era como terminar uma série muito boa e pensar: "E agora? Vou voltar pra minha vida normal? Como assim ninguém aqui é Maia?"
Mas tomei coragem e finalizei. E meu Eru Ilúvatar, que final!
aquelas joias não podiam ser achadas ou reunidas de novo a menos que o mundo fosse quebrado e refeito
Os últimos contos são de cair o queixo. A queda de Númenor, por exemplo, é tão boa que merecia uma minissérie com orçamento de filme de herói (só que com profundidade). Foi épico. Foi poético. Foi tipo aquele momento em que você termina o livro e fica olhando pro nada, esperando o universo te explicar o que fazer agora com a própria existência.
O fato é simples: é impossível não gostar de algo que Tolkien escreveu. Como costumam dizer: ele poderia ter feito uma lista de compras e ainda assim teria sido uma obra-prima ("Três maçãs para os Reis dos Homens, nove fatias de pão para os Mortais"). É tudo muito único, muito bem feito, muito além do nosso plano literário de meros mortais. Leia!



