Todo Mundo Aqui Vai Morrer Um Dia, de Emily Austin, é um romance contemporâneo que mistura humor, ansiedade, depressão, reflexões existenciais e até um toque de mistério. Com uma protagonista tão neurótica quanto carismática, o livro aborda temas como saúde mental, morte, identidade e pertencimento de forma leve, engraçada e surpreendentemente emocionante.
A história acompanha Gilda, uma mulher lésbica, ateia e extremamente ansiosa que, por falta de alternativas, acaba aceitando um emprego como secretária em uma igreja católica. A partir dessa situação inusitada, Emily Austin constrói uma narrativa cheia de reflexões sobre a vida, a morte e todas as preocupações que inventamos enquanto esperamos as duas chegarem.
Sobre o que fala Todo Mundo Aqui Vai Morrer Um Dia?
Em Todo Mundo Aqui Vai Morrer Um Dia, conhecemos Gilda, uma protagonista que passa boa parte do tempo presa dentro da própria cabeça. Seus pensamentos ansiosos, obsessivos e muitas vezes desconexos conduzem a narrativa, tornando a leitura especialmente interessante para quem convive com ansiedade ou depressão.
Ao longo da história, também conhecemos Eleanor, sua namorada; o Padre Jeff; Barney, o contador da igreja; e Grace, uma personagem fundamental para o desenvolvimento da trama, mesmo após sua morte.
O livro mistura humor, saúde mental, relações humanas e reflexões sobre mortalidade, criando uma história que consegue ser divertida e melancólica ao mesmo tempo.
Um dos melhores livros sobre ansiedade e depressão
Se você procura livros sobre ansiedade, depressão e saúde mental, Todo Mundo Aqui Vai Morrer Um Dia merece sua atenção.
Emily Austin retrata de forma muito realista os pensamentos intrusivos, a angústia constante e a sensação de estar sempre esperando que algo ruim aconteça. Como pessoa ansiosa, senti que poucos livros conseguiram representar tão bem essa experiência.
"Tenho uma sensação bizarra de que fui uma pessoa diferente a cada etapa da minha vida. Me sinto tão afastada de quem era antes."
A autora também apresenta a depressão de forma honesta, sem recorrer a clichês. Nem toda pessoa deprimida passa o dia inteiro deitada na cama. Muitas continuam trabalhando, cumprindo suas obrigações e parecendo funcionais, mesmo carregando um enorme sofrimento interno.
"Estou mostrando ser alguém feliz, porque as pessoas preferem assim."
Humor, igreja e crises existenciais
Um dos maiores acertos de Todo Mundo Aqui Vai Morrer Um Dia é o humor.
Grande parte das cenas engraçadas nasce justamente do contraste entre Gilda e o ambiente religioso da igreja onde trabalha. Suas gafes, comentários e dificuldades para se encaixar naquele universo rendem momentos muito divertidos.
Ao mesmo tempo, Emily Austin aproveita essas situações para discutir temas como religião, fé, morte e o papel que os dogmas exercem na vida das pessoas.
A escrita é leve, fluida e acessível, tornando a leitura rápida mesmo quando os assuntos abordados são mais profundos.
Um mistério que complementa a narrativa
Além das reflexões sobre saúde mental e existência, o livro ainda apresenta uma pequena trama investigativa. Em determinado momento, Gilda acaba envolvida em uma investigação policial.
Confesso que consegui prever parte da solução do mistério, mas isso não prejudicou minha experiência. O foco principal continua sendo a construção dos personagens e a jornada emocional da protagonista.
Vale a pena ler Todo Mundo Aqui Vai Morrer Um Dia?
Na minha opinião, sim.
Recomendo Todo Mundo Aqui Vai Morrer Um Dia, de Emily Austin, para quem gosta de:
Livros sobre ansiedade e depressão;
Romances contemporâneos com humor;
Histórias sobre saúde mental;
Personagens excêntricos e muito humanos;
Reflexões sobre morte, identidade e pertencimento;
Livros parecidos com Depois a Louca Sou Eu, de Tati Bernardi.
É uma leitura divertida, sensível e inteligente, que consegue falar sobre temas difíceis sem perder o humor. Um livro para quem pensa demais, sente demais e, de vez em quando, precisa lembrar que não está sozinho nisso.








