Sob Efeito de Plantas fala sobre substâncias que encontramos na natureza e que mexem com a estrutura do nosso cérebro, interferindo diretamente no humor. Algumas são bastante conhecidas, como a cafeína presente no nosso café de todo dia; outras são proibidas, como o ópio, extraído da bela flor da papoula, e a mescalina, obtida do cacto peiote.
Mais uma vez, Michael Pollan nos apresenta substâncias que alteram a consciência, assim como fez em Como Mudar Sua Mente, onde explorava cogumelos e psicodélicos. A diferença é que, desta vez, o foco está nas plantas como agentes dessa transformação mental.
Pollan costuma usar suas próprias experiências para conduzir o tema que deseja abordar, e isso é algo que considero muito interessante. Eu realmente gosto desse tipo de narrativa. Ele acaba se tornando o personagem principal de seus livros, já que compartilha histórias e informações a partir de suas vivências.
O livro começa com as papoulas e a tentativa do autor de cultivá-las em seu jardim para extrair ópio. Li essa parte rapidamente, tomada pela curiosidade de saber se ele conseguiria ou não. No entanto, esse capítulo acabou sendo um pouco cansativo, pois se aprofunda bastante nas leis antidrogas dos Estados Unidos, um tema que, pessoalmente, não me prende tanto. Em compensação, as partes sobre o café e a mescalina foram bem mais interessantes.
Nem sempre, nem com frequência, mas muito de vez em quando, o encontro entre uma mente e uma molécula vinda de uma planta muda as coisas.
No capítulo sobre o café, acompanhamos a experiência do autor ao tentar se livrar do vício em cafeína, o que traz uma perspectiva curiosa sobre algo tão presente no cotidiano. Achei muito interessante a explicação de como essa substância age no nosso cérebro e como somos enganados por ela! Além da grande importância desse chá para mudanças fundamentais em nossa sociedade.
Por fim, chegamos ao peiote, de onde é extraída a mescalina, um psicodélico tradicionalmente utilizado por indígenas norte-americanos. Mais uma vez, Pollan se aventura tentando extrair a substância em casa, algo que eu, sinceramente, também teria vontade de fazer. Essas experiências pessoais são, para mim, uma das partes mais divertidas do livro.
No geral, a obra é muito interessante, e a escrita de Pollan torna tudo mais acessível. Acompanhamos suas histórias com curiosidade e certo entusiasmo. É aquele tipo de leitura em que se aprende enquanto se diverte.
psicodélicos são professores profundos do óbvio. Mas, às vezes, é exatamente dessas lições que precisamos.
Não foi uma leitura que me prendeu do início ao fim; cada capítulo teve seus altos e baixos. Na minha opinião, ele poderia ter falado também da Ayahuasca, que vem do cipó Mariri e das folhas de Chacrona. Ainda assim, o livro é muito instrutivo, a narrativa flui bem, especialmente depois de uma boa xícara de café.
Como sempre, os livros desse autor me agradam bastante, e desta vez não foi diferente. Sei que ainda vou ler outras obras dele quando tiver oportunidade. Recomendo a quem gosta de aprender coisas interessantes por meio da não ficção. É uma leitura que entretém e ensina, e para mim está mais do que aprovada.










