O livro se passa em um desses acampamentos de férias que a gente sempre viu nos filmes estadunidenses, e tudo começa quando uma das campistas desaparece de forma misteriosa. A partir desse evento, descobrimos que a menina é filha dos donos do lugar, pessoas muito ricas que já haviam perdido um filho em circunstâncias bastante semelhantes.
Confesso que não fazia ideia da existência desse livro. Ele apareceu como sugestão em um dos grupos de leitura conjunta dos quais participei, e ainda bem. Não seria uma obra que eu escolheria por conta própria, o que só reforça como é importante trocar indicações com outros leitores, porque essa foi uma leitura que realmente compensou.
No início da narrativa fiquei um pouco desconfiada. Tudo parecia juvenil demais, mais uma história de namoradinhos em barracas e bailes de acampamento. Mas, à medida que o mistério começa a se desenvolver, a trama amadurece e se torna praticamente impossível largar o livro.
As primeiras páginas não me fisgaram tanto e cheguei a achar que seria uma daquelas leituras que a gente empurra com a barriga. Só que, ao chegar na metade, devorei o restante em uma única noite. Só não terminei porque a bateria do meu Kindle acabou e eu precisava dormir. No dia seguinte, assim que o leitor digital ressuscitou, finalizei tudo com enorme satisfação.
A história aborda temas como morte e desaparecimento, vínculos familiares, amizade, desigualdade social e trauma. Vamos conhecendo a família Van Laar, dona do acampamento de verão, e a maneira como eles se relacionam com a comunidade local. O sumiço da jovem faz o passado invadir o presente e acaba trazendo à tona segredos guardados há muito tempo.
Os personagens que mais me impactaram foram as mulheres. Barbara, a garota desaparecida, Louise, responsável pela barraca onde ela estava, T.J., a coordenadora do acampamento, Alice, a mãe das crianças que sumiram, além da investigadora Judy. Todas muito diferentes entre si, mas igualmente importantes para a construção da narrativa.
A trama é organizada a partir dos pontos de vista dos personagens, com capítulos que levam seus nomes e mostram o que acontece com cada um em determinados momentos. A narrativa avança e recua no tempo ao longo da leitura. Mais perto do desfecho, os capítulos ficam mais curtos e o ritmo se intensifica, com cortes mais rápidos no enredo. Isso me lembrou um pouco o estilo do Dan Brown, mas de forma bem mais equilibrada e menos irritante. Pelo menos foi essa a sensação que tive.
A escrita da autora é excelente e não cansa em nenhum momento. Nada parece estar ali por acaso, não há excesso de informação nem tentativas forçadas de confundir o leitor. Ela escreve de maneira simples e objetiva, mantendo o clima de mistério e aquela vontade constante de continuar lendo até entender o que realmente aconteceu.
Em nenhum instante consegui prever como a história terminaria, e isso é algo que valorizo muito. Gosto de ser surpreendida. Achei que a resolução fez bastante sentido. Cheguei a pensar que o último capítulo nem seria indispensável, mas, ainda assim, o encerramento me agradou.



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