Uma sobrinha recebe a notícia do falecimento de sua tia, embora há muitos anos essa tia já estivesse morta. Movida pela estranheza, ela parte para a cidade que não visitava há tempos em busca de respostas.
A partir desse ponto acompanhamos a vida dessa sobrinha, sua relação com a família, os amigos, o que se passa naquela pequena cidade onde passava as férias e o que realmente acontecia com a tia, sem que tivesse a menor ideia.
O livro trata de histórias de família, amor e mistérios, explorando temas como solidão, amizade, preconceito e até pedofilia. Tudo aparece de maneira surpreendente, graças à habilidade da autora em conduzir a narrativa com delicadeza e segurança.
Quando a solidão é sua melhor amiga, ela não é triste, nem sofrida, é uma escolha
Os personagens principais são Agnes, a sobrinha, e Colette, a tia falecida, além das pessoas que cruzam o caminho das duas ao longo da trama. A história se divide entre o presente, no qual se desenrola o mistério da segunda morte de Colette, e o passado, desde a infância dela ao lado do irmão, que viria a ser o pai de Agnes.
Valérie Perrin faz questão de dar voz a todos os personagens, inclusive aos secundários, o que transforma o livro em uma espécie de grande novela, repleta de histórias que se entrelaçam.
O estilo da autora não é direto, ela demora a chegar em alguns pontos, mas o ritmo se mantém fluido. A quantidade de capítulos, no entanto, me atrapalhou um pouco. Embora sejam curtos, tive a impressão de que alguns não eram necessários e que a trama poderia ser mais enxuta.
A relação de Colette com o irmão, Jean, é muito emocionante. Conhecer a infância deles mexeu comigo de forma intensa, e toda a trajetória de Colette é impressionante.
Não é seu sangue que corre em minhas veias, e sim seu universo.
O livro traz muitas reviravoltas e surpresas. Desde o início somos envolvidos por um grande mistério que vai sendo desvendado aos poucos. São diversas histórias que se encontram, vários personagens com enredos próprios e acontecimentos inesperados.
No começo a leitura me prendeu bastante, mas em certo momento fiquei impaciente com a lentidão. Apesar disso, da metade em diante a trama ganha força e o final é impossível de largar até a última página.
Na minha opinião, o ponto fraco da obra está justamente na lentidão, que me deixou ansiosa, pois eu queria descobrir logo o que tinha acontecido. O ponto forte é o desfecho surpreendente, com um plot twist que realmente impressiona.
Recomendo muito essa leitura, sobretudo para quem gosta de suspense e de histórias que mantêm o mistério até o fim, sem pressa em revelar todas as respostas.
O amor é sempre uma boa notícia
Diário de Leitura
Aqui está meu diário, com tudo que senti ao longo da leitura. Não se iluda com o começo, porque as impressões podem mudar... ou não.
O começo
Comecei a leitura muito empolgada, pois sabia que seria uma história que iria me prender do começo ao fim. Mas, como estava com outras leituras encaminhadas, acabei não dando a devida atenção ao livro nos primeiros capítulos. E a leitura acabou ficando um pouco arrastada, muito por conta da minha ansiedade e impaciência para saber logo o que havia acontecido com a tia Colette. E aquela abençoada da sobrinha dela ia ouvindo as fitas com uma lentidão de tartaruga desnutrida. Se fosse eu, teria feito maratona de 24 horas, com café na veia e fone colado na orelha. Mas não, a criatura ouve como se estivesse escutando meditação guiada. Pelo amor de Eru Ilúvatar!
O meio
Passei duas páginas do meio da leitura e a história está ficando bem mais intrigante. Descobrimos que Colette tinha uma companheira em sua casa, uma amiga que era exatamente como ela em aparência. Suspeita-se que é ela quem está enterrada em seu lugar. Mas eu tenho minhas dúvidas, pois também temos uma vizinha misteriosa. Vamos ver se vou acertar esse plot.
Voltando para dizer que era, sim, Blanche que estava no túmulo de Colette, mas ainda tenho suspeitas sobre a vizinha. Essa vizinha tem energia de quem sabe a senha do Wi-Fi e não quer contar.
No meio disso tudo, rolou uma surpresa boa: os pais da Agnes se conhecem por causa de um piano! Achei incrível alguém achar o amor por causa de um instrumento que pesa meia tonelada.
Agora chegando perto do fim, Valérie Perrin finalmente começou a explicar as coisas. Ela escreve como quem adora dar voltas no quarteirão antes de chegar em casa. Para leitor ansioso, é tortura.
E sim, fui obrigada a fazer árvore genealógica. Mas amei, porque herdei de Tolkien e García Márquez esse fascínio por famílias gigantes e cheias de segredos. Se tem sobrenome repetido e parente perdido, já me ganhou.
O fim
Não tem mesmo como imaginar o plot twist da trama. Quando cheguei nessa parte, fiquei boquiaberta e refiz rapidamente toda a história na minha cabeça. As revelações que temos no final da trama foram bem chocantes para mim. Jamais teria imaginado que Agnès era filha de Blanche! E que, afinal, o treinador tinha realmente sido assassinado.
Um único amigo é suficiente para suprir o silêncio e as ausências
Mas ainda fiquei com uma dúvida que achei que teria uma explicação, mas não teve: por que Blanche e Colette eram tão parecidas? Imaginei que existiria alguma relação de parentesco entre elas, mas não. Isso me decepcionou um pouco.
De resto, achei a história muito boa. Valérie Perrin realmente gosta de escrever. No fim, eu acabei curtindo tanto a leitura que quase perdoei a sobrinha lesma. Quase.








