A leitura de Androides sonham com ovelhas elétricas? foi uma experiência meio estranha. Não sei dizer exatamente o que achei da obra. Não gostei, mas também não desgostei. Acho que a dúvida constante do personagem principal passou pra mim.
O livro fala de um futuro apocalíptico em que os seres humanos colonizaram outros planetas enquanto a Terra tenta se recuperar de algum evento nuclear que deixou o ar contaminado por uma poeira radioativa.
Quando emigram para Marte, os humanos ganham um androide, que funciona meio como um escravo desses terráqueos. O problema é que alguns desses robôs se revoltam, matam seus donos e voltam para o planeta azul disfarçados de humanos.
Nosso personagem principal, Rick Deckard, é um caçador desses androides, um blade runner, que precisa “aposentar” esses seres e receber sua recompensa por tal trabalho.
Contudo, quanto mais ele caça androides, mais começa a questionar se eles são realmente tão diferentes dos humanos. Isso coloca em dúvida justamente aquilo que ele deveria saber muito bem, quem é humano e quem não é.
Rick Deckard parece o tempo todo muito deprimido e não quer mais matar replicantes. O que ele realmente quer é ter seu próprio animal para cuidar, mais ou menos como os millennials com seus gatos.
Mas ele tem que sair para trabalhar enquanto fica se questionando sobre o que é ser humano e o que é ser androide, o que significa ter empatia e, claro, se Deus é real. Parece familiar pra você? Procure terapia!
Acho que essa leitura foi mais existencial do que divertida, bem mais filosófica do que ficção científica. Nunca tinha lido outro livro do Philip K. Dick, mas pelo que andei descobrindo sobre ele, parece que era mesmo assim.
A minha parte preferida da história foi a existência de um moderador de humor, uma máquina que você programa para fazer você se sentir bem ou até deprimido. Ela tem vários códigos que vão desde concordar com seu marido até acordar feliz, passando por vontade de assistir televisão.
Se tem uma coisa que eu queria na vida era poder controlar meu humor do jeito que eu desejasse. Mas é aquilo, se a gente ainda não tem nem carros voadores, não é tão cedo que teremos uma máquina dessas.
Já em relação aos androides, parece que estamos mais perto de conseguir construir alguns. Só para lembrar, os replicantes do livro são bem malvados. Tem uma cena envolvendo uma aranha que me deixou angustiada. E olha que eu nem gosto de aranha, então imaginem a situação.
No final, fui totalmente enganada pelo escritor, e acho isso bem delicioso e satisfatório. É sempre bom ter uma surpresa antes de o livro acabar. Eu gosto quando o autor consegue me passar a perna, porque significa que eu estava bem imersa na história.
Acho que essa não foi uma das minhas leituras preferidas da vida, mas foi uma daquelas que fiquei feliz por ter realizado. Recomendo para quem gosta de ficção científica que faz você viajar um pouco na maionese e filosofar pra caramba.



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