J.R.R. TOLKIEN Uma Biografia - Humphrey Carpenter



Tolkien foi o criador de todo o universo de O Senhor dos Anéis, incluindo O Hobbit e O Silmarillion, entre várias outras obras. Neste livro, Humphrey Carpenter nos conta sobre a vida desse professor e autor de uma das histórias mais fantásticas do nosso tempo.

Eu adoro os livros que contam a história da Terra-média, todos os seres mágicos que ali vivem, mas não sou uma fissurada. Pelo menos não tanto quanto outros fãs de Tolkien, que leem até os livros de filologia do mestre. Mesmo assim, senti curiosidade de saber como foi que ele criou um mundo tão encantador, capaz de levar pessoas a aprender uma língua completamente inventada por um único ser humano.

Confesso que nem tinha muito interesse pela vida particular dele, até porque essa parte costuma desapontar os leitores, mas queria muito entender a criação, a criatividade, os métodos, as circunstâncias, as origens de toda a sua escrita.

Logo no início da vida de Tolkien já existiam sinais do que viria a ser a saga de O Senhor dos Anéis: Gandalf no espírito da montanha, o contato com a natureza durante a infância, os livros sobre fadas e dragões, Beowulf, Kalevala e até as amizades dos tempos de escola.

Este amor pela lembrança dos campos de sua juventude mais tarde se tornaria uma parte central de suas obras, intimamente relacionado com seu amor pela memória da mãe

O fato é que é impossível ler a história de Tolkien sem imaginar como tudo influenciou na criação do incrível mundo de O Senhor dos Anéis. Mesmo que não tenha relação direta, você vai fazendo associações: vi Gandalf no avô dele, vi o Condado na cidade de origem da mãe, até o cara que tocava banjo me remeteu ao Dragão Verde.

Achei interessante o autor descrever uma vida comum de Tolkien. É algo tão simples que chega a ser difícil imaginar que alguém com uma rotina tão ordinária tenha criado um universo tão grandioso. Mas a verdade é que o mundo dentro da nossa cabeça pode ser muito mais emocionante do que o nosso cotidiano. É na imaginação que os grandes cenários acontecem. Nem sempre o que se vê por fora revela o que existe por dentro. No caso de Tolkien, parece que ele já tinha vivido tudo o que precisava, ainda na infância.

“Escreve-se tal história não a partir das folhas de árvores ainda a serem observadas, nem por meio da botânica e da ciência do solo; ela cresce como uma semente na escuridão, a partir do húmus das folhas da mente: a partir de tudo que foi visto, pensado ou lido, que foi há muito tempo esquecido, que desceu às profundezas. Sem dúvida seleciona-se muito, como fazem os jardineiros: o que cada um acrescenta ao preparar o seu adubo; e, evidentemente, a maior parte do meu húmus é feito de matéria linguística.”

É preciso admitir que Humphrey Carpenter alivia bastante para o lado do nosso escritor. Ele elogia tanto Tolkien que, em certo momento, comecei até a desconfiar. Mas, como disse antes, prefiro nem pensar nisso. A primeira metade do livro traz bastante informação sobre a vida privada do criador de Bilbo, e toda a parte sobre filologia e seus estudos pode ser um pouco cansativa para quem está acostumado com a ação de Mordor. Mas, na segunda metade, quando chegamos aos seus escritos, aí é só alegria.

Era um homem estranho e complexo, e essa tentativa de estudar sua personalidade não nos ensinou muito. Mas, nas palavras que C.S. Lewis atribui a um personagem de um de seus romances, ‘acontece que acredito que não se pode estudar os homens, pode-se apenas conhecê-los, o que é uma coisa bem diferente’

Acompanhamos todo o processo de criação e publicação de O Hobbit e, depois, a longa jornada para escrever O Senhor dos Anéis: as mudanças de nomes, o desenvolvimento da história, as pausas, as dúvidas. É muito interessante. Hoje temos outros livros que aprofundam ainda mais a história da Terra-média, mas, como eu não sou tão fissurada a ponto de encarar esses calhamaços, fiquei satisfeita em entender um pouco desse processo por trás de alguns dos meus livros preferidos da vida.

Também vemos a dificuldade de Tolkien em terminar, ou até organizar, O Silmarillion, e eu o compreendo totalmente. Às vezes as ideias crescem tanto que fogem do controle.

Ele não se via como um inventor de histórias, mas como um descobridor de lendas. E isso se devia na verdade às suas línguas particulares.

Sinto que ler essa biografia foi como assistir a um filme cheio de easter eggs. Durante toda a leitura, havia pequenos presentes: um gostinho de Terra-média, um insight, uma compreensão, como se uma estrela aparecesse aqui e ali mostrando o caminho que foi percorrido.

Recomendo essa leitura para quem ama as obras de Tolkien. Sim, é importante já ter lido ou pelo menos assistido aos filmes para aproveitar melhor. Mas posso garantir, é muito gostoso atravessar essas páginas com elfos e hobbits no coração, e finalmente entender de onde todos eles vieram.

um homem que acreditava que a principal função do linguista é interpretar a literatura e que a principal função da literatura é proporcionar prazer

Blogueiros

Se você também tiver um Blogspot, aproveite para me seguir, eu sempre comento nos posts da galera do Blogger. Uma das coisas mais legais para mim é entrar na lista de leitura e ver o que tem de novidade. Meu sonho é que essa comunidade se encontre, já que agora somos poucos, pelo menos vamos nos juntar.

Posts exclusivos

Se você quer receber posts exclusivos, com muitas dicas de leitura, e as publicações aqui do blog antes de todo mundo, inscreva-se na Newsletter do Blog. É de graça e chega quinzenalmente na caixa de entrada do seu e-mail. 




1 Comentarios

  1. ☘️Coucou 🌹🌹🌹mon @mie
    Ce matin un scanner, ensuite mal à ma main
    Et coup de fatigue 🤒...bref
    Me voilà sur ta jolie page
    Pour te remercier de ta visite et gentil com's
    Te souhaiter une bonne soirée✨ une belle nuit🌜
    Et un superbe Weekend pour la fête des mères
    Prend soin de toi🌙 Bisous 💋de ❤️*Shirley*

    ResponderExcluir

Tecnologia do Blogger.