Amiga artificial, solidão e distopia: conheça Klara e o sol de Kazuo Ishiguro, o livro que virou filme
Eu tenho a mania de ler os livros antes de assistir aos filmes. Dessa vez eu estava rolando o feed do TikTok quando vi o trailer dessa história. Era sobre uma menina que é uma amiga artificial, uma espécie de robô criada para fazer companhia a crianças solitárias em um mundo meio distópico.
Como faço com todas as histórias que despertam minha curiosidade, fui baixar uma amostra no Kindle. O trecho que li já me fisgou na mesma hora e lá fui eu ler o livro.
As primeiras páginas mostram a vida da “boneca” na loja e a forma como Kazuo Ishiguro escreve já faz a gente não querer largar o livro. É uma escrita simples, mas que nos deixa sempre com uma pulga atrás da orelha. As coisas vão acontecendo em um ritmo muito bom. A menina sai da loja e vai para a casa de sua dona, onde coisas estranhas começam a acontecer.
“Não estou dizendo que seja fácil sempre. Todo mundo tem seus dias ruins. Mas, em comparação ao que era antes, sentimos que… que estamos vivendo de verdade pela primeira vez.”
A história é contada do ponto de vista da Klara, a amiga artificial, então vamos descobrindo tudo junto com ela, desde os mistérios daquela família até como funciona a realidade desse mundo diferente.
Apesar de eu ainda não ter lido direito nenhum outro livro do autor, acho que essa história lembra bastante Não Me Abandone Jamais. Nos dois livros acompanhamos personagens que acabam descobrindo algo revelador sobre suas vidas e sobre o próprio futuro. Em Klara e o Sol acontece algo parecido.
Eu li esse livro em poucos dias porque é realmente muito difícil largá-lo. Tudo flui muito bem e você fica extremamente curioso para descobrir o que está acontecendo de verdade e como tudo aquilo vai terminar.
“Esperança”, ele disse. “Essa desgraça nunca deixa a gente em paz”
É um livro sobre amizade, autoconhecimento, privilégios, maternidade e sobre as escolhas que fazemos por nossos filhos por causa daquilo que imaginamos que a sociedade vai exigir deles. Qual é a escolha certa? Fazemos tudo pelo bem dos nossos filhos ou pelo nosso próprio bem? Como a sociedade e a luta de classes transformam as pessoas antes mesmo de elas serem capazes de escolher. Como os pais determinam o futuro dos filhos, tanto para o bem quanto para o mal.
Quando terminei a leitura fiquei bem satisfeita com a obra. Não vou dizer que entrou para a lista dos meus livros preferidos da vida, mas é uma ótima forma de passar algumas horas. É uma história cativante e que, na minha opinião, vale muito a pena ler.
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